É impossível sustentabilizar a moda sem superar o racismo

É impossível sustentabilizar a moda sem superar o racismo

O racismo ainda é uma constante. E uma estrutura da sociedade em que vivemos. Silvio Almeida, advogado e filósofo negro, define o racismo no livro Racismo Estrutural como “uma forma sistemática de discriminação que tem a raça como fundamento, e que se manifesta por meio de práticas conscientes ou inconscientes que culminam em desvantagens ou privilégios para indivíduos, a depender do grupo racial ao qual pertencem.”

O racismo com a população negra não é um caso isolado, tampouco individual. Dados do IBGE (2015), apontam negros e pardos como 53% da população brasileira, porém pesquisas do PNAD (2017) relevam bruscas diferenças salariais e de acesso à educação e saúde entre negros e pardos quando comparados com brancos.

Em paralelo, a moda é a segunda indústria de transformação que mais emprega, segundo dados da ABIT, onde só no estado de São Paulo 1/3 da população trabalha neste setor, conforme o Dieese. Toda sua rede de produção e consumo envolve pessoas. Ou seja: o cruzamento dos dados demonstra uma grande parcela da população negra integrando alguma ponta da cadeia da moda, mas que ainda sofre com esse racismo estrutural.

Junto a isso, demandamos sustentabilizar a moda – o que de fato é uma urgência visto os grandes impactos negativos que ela causa. Porém, várias vezes são usadas lentes colonialistas para isso, com a insistência de uma narrativa de crescimento econômico fraudada no desenvolvimentismo, que é enraizado na diáspora e anda ao lado de instituições imperialistas.

Temos uma enorme parcela da humanidade que teve não só sua vida ceifada num regime escravista, mas também sua alma. As consequências da escravidão reverberam até hoje, onde vemos uma população negra constantemente marginalizada, sendo os não-brancos os que mais sofrem com a crise climática causada, principalmente, pela própria branquitude. Como estamos revertendo estas consequências? Como estamos combatendo esta dinâmica de opressão e exploração, que se estende à moda e além?

Ainda se repete uma retórica pautada no capitalismo, que utiliza ferramentas do próprio sistema de dominação racial, enquanto milhares não têm acesso a água potável no mundo, ou são atingidos por balas perdidas que sempre acham corpos negros, ou tem histórias negadas pela discriminação, impedidos de sonhar e vislumbrar por meio da moda, ou o que for.

Consciência é sobre consumo mas também sobre a compreensão dos sistemas vigentes, dos produtos da desigualdade, da descolonização do imaginário e de como alguns grupos são mais explorados que outros por dinâmicas históricas aos quais foram submetidos. Mais que construir “roupas sustentáveis”, precisamos construir uma atuação ambientalista que seja intrinsecamente antirracista.

 Digital Seller 8 Meses atrás
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